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Seção de Informações para Alérgicos

É consenso entre os profissionais médicos a recomendação para que seus pacientes portadores de alergias, principalmente respiratórias, encapem seus colchões e travesseiros com materiais impermeáveis, tais como plásticos e napa para evitar o contato com os ácaros e seus derivados.  Esta prática, extremamente importante, no entanto é pouco seguida em conseqüência do desconforto ocasionado pelo calor, barulho e tato desagradável provocado por estes materiais de revestimento.  Em razão disto, foi desenvolvido um material de revestimento com propriedades adequadas para minimizar e mesmo eliminar o desconforto decorrente do uso de outros materiais.

Os ácaros são microscópicos, praticamente invisíveis a olho nu. Cada espécie vive de 2 a 4 meses sendo que as fêmeas colocam entre 50 a 100 ovos mensalmente. Preferem ambientes úmidos e escuros e se alimentam de restos de comida, insetos, fungos e dos resíduos da descamação de pele humana e de animal.  Um homem adulto perde cerca de 1,5 gramas de pele diariamente, o que serve de alimentação para cerca de um milhão de ácaros.  Não é sem razão, que a espécie mais numerosa das diversas famílias de ácaros tem o nome científico de dermatophagoides que literalmente significa comedor de pele.  

Cada ácaro, produz cerca de 35 bolotas fecais diariamente e durante sua vida o total de suas excreções pode ultrapassar 200 vezes o seu peso. A matéria mucosa dessas fezes entranha-se nos materiais porosos e com o tempo decompõe-se em partículas de tamanho extremamente reduzido presentes abundantemente na poeira doméstica. Com a movimentação natural do ar ou quando se usa ventiladores e espanadores de poeira, uma parte destas partículas é lançada no ar ambiente, permanecendo em suspensão por muitas horas e desta forma atinge facilmente a mucosa respiratória dos humanos. Os ácaros são encontrados em grande quantidade impregnados em tecidos tais como cortinas, carpetes, sofás e principalmente nos colchões e travesseiros, onde encontram as melhores condições para a proliferação.  Dados estatísticos revelam que um colchão sem proteção pode aumentar até 20% no seu peso no período de quatro anos, em decorrência da proliferação e do acúmulo de dejetos dos ácaros. 

O Dr. Brum Negreiros, um dos mais conceituados alergologista brasileiro, percussor das medidas de profilaxia ambiental, no seu trabalho publicado em A FOLHA MÉDICA de novembro/dezembro de 1990, registra que já em 1928 na Alemanha, Dekker H. publicou um trabalho empírico porém pioneiro (1), definindo os “ácaros do colchão” como o principal causador da asma. A partir da monografia elaborada por Voorhost em 1969 (2) identificando e classificando os ácaros presentes na poeira de muitas localidades, desenvolveram-se testes de suscetibilidade, verificando-se que extratos de pó doméstico especialmente preparados sem ácaros eram muito menos alergênicos dos que os extratos comuns, com ácaros.  Os extratos comuns (com ácaros) nos testes cutâneos em pessoas portadoras de alergias respiratórias apresentaram uma incidência positiva entre 40 a 80%, muito superior aos indivíduos não asmáticos cuja incidência situou-se entre 5 a 20%, provando definitivamente ser o ácaro o principal agente causador das alergias respiratórias.  

De fato, o ácaro não produz nem conduz doenças. São proteínas presentes no seu corpo, cutícula e fezes que desencadeiam as crises alérgicas que são reações exarcebadas do sistema imunológico dos indivíduos. A presença do ácaro só é prejudicial para pessoas alérgicas ou passíveis de sensibilizarem-se.  

O Dr. Negreiros registrou ainda no artigo mencionado que Vervloet e Charpin, em trabalho publicado em 1982 (3), correlacionaram a quantidade de ácaros encontrados na poeira com a altitude do local e a incidência de asma.  Em locais elevados, onde o clima é mais seco e consequentemente a presença de ácaros é muito reduzida, como por exemplo em Davos/Suíça, praticamente não existiam asmáticos, exatamente ao contrário do observado em locais mais úmidos, próximos do nível do mar.  Em 1985, Woolcook publicou um trabalho (4) sobre o aumento alarmante de asma na Nova Guiné, onde foi encontrada uma alta infestação nos colchões da população (1.300 ácaros por grama de poeira). Finalmente, estudos dinamarqueses registrados por Korgaard em 1983 (5) mostraram que a presença de mais de 100 ácaros por grama de poeira deve ser vista como “condição de risco ambiental”. A sensibilização ao ácaro é um elemento essencial não só no aparecimento de crise de asma, mas também na manutenção de uma hiper-reatividade exagerada na mucosa respiratória, como revelado no trabalho de Platts-Mills (6).

Por razões semelhantes, também a presença de mofo, fungos e outros micro-organismos pode ser prejudicial a determinadas pessoas, por nelas desencadearem crises de alergia.  

Compreende-se portanto a importância para os indivíduos asmáticos ou portadores de outras alergias respiratória do controle ambiental onde é fundamental a redução da sua exposição aos ácaros.  Os ambientes utilizados por estas pessoas devem ser providos de superfícies (chão, paredes, cortinas...) móveis, objetos, utensílios e itens de decoração com materiais impermeáveis e facilmente limpos. É importante portanto evitar o uso de tapetes, cortinas de pano, estofamentos etc.  

As recomendações profiláticas são perfeitamente exeqüíveis na sua maioria – assim é possível eliminar do ambiente quase todos os objetos cujas superfícies favorecem a proliferação dos ácaros e/ou a impregnação da matéria mucosa de suas fezes. O problema principal reside nos locais destinados ao descanso  (cadeiras, sofás..) e sono (colchão, travesseiro, cobertores, edredons, mantas...) dos indivíduos, locais onde a necessidade de conforto demanda superfícies aconchegantes, macias e de contato agradável.  

Tendo em vista estes problemas e no propósito de superá-los, foi desenvolvido um tecido especial com o qual se confecciona capas anti-ácaros para colchões, travesseiros, cobertores, edredons, almofadas ou qualquer outro produto destinado ao uso de pessoas alérgicas ou passíveis de serem sensibilizadas pelo contato com ácaros, mofo, fungos e outros micro-organismos.  

Este tecido é preparado a partir de tecidos convencionais elaborados em puro algodão ou em composição mista de poliéster e algodão.  Em uma das faces deste tecido convencional é tratada com uma fina camada de material impermeabilizante tal como o policloreto vinilico, o qual através de processos de calandragem ou extrusão, promove a sua aderência no tecido, formando um conjunto único que conserva as propriedades de maciez e flexibilidade do tecido original. Com este produto confeccionam-se as capas anti-ácaros de forma que a face não tratada do tecido fique voltado para fora afim de proporcionar ao usuário do objeto revestido uma sensação de conforto praticamente idêntica ao objeto não revestido. Uma pequena redução da capacidade do tecido em transmitir o calor do corpo humano, em face da sua impermeabilidade é admitida pela contrapartida dos benefícios a saúde e qualidade de vida do usuário. A presença do tecido convencional no entanto, garante a absorção da transpiração humana em um nível nada comparável ao que poderia ser conseguido com o uso de uma capa feita somente com um material impermeável, como plásticos em geral. Todo o processo de tratamento impermeabilizante do tecido é controlado e periodicamente inspecionado para que seja assegurado o bloqueio da passagem dos ácaros e de seus derivados. Com isto reduz-se extraordinariamente a possibilidade de contato dos usuários destas capas com os micro-organismos presentes no produto protegido.

As capas são feitas de forma a envolver completamente o artigo protegido. No caso de colchão, a capa pode também ser confeccionado com elásticos, de forma a somente cobrir somente um dos seus lados, o que lhe daria mais praticidade de uso, embora tenha a sua eficiência diminuída. Esta versão de cobertura parcial é indicada para usuários que precisam mudar a hospedagem com frequência, por exemplo viajantes, a quem seria difícil o encapamento do colchão cada vez que houvesse mudança de hotel. Este modelo também pode ser usado por portadores de diurese noturna tendo em vista a impermeabilidade da cobertura. 

O fechamento das capas sobre os diversos objetos pode ser por costura ou, o que lhes daria mais praticidade de uso, com a utilização de zíper, velcro ou similares.  Ainda que exista uma reduzida passagem dos ácaros por estes itens de fechamento ou mesmo pelos orifícios da costura utilizada na confecção das capas ou de seu fechamento, o nível de concentração destes organismos por grama de poeira será muito inferior aos índices considerados como representativos de risco ambiental.  Vale dizer que a possível passagem destes seres microscópicos é muito inferior a quantidade existente no resto do ambiente, sendo portanto desprezível.

Encape seu colchão e travesseiro como medida número um de profilaxia ambiental porém não deixe de considerar outras medidas complementares tais como a retirada de carpetes, cortinas de tecidos, estofados ou qualquer outro objeto de difícil limpeza cotidiana.  Além disto evite procedimentos que possam agitar o ar ambiente como por exemplo o emprego de espanadores para limpeza ou mesmo de ventiladores os quais provocam a suspensão dos ácaros, que como visto permanecem por muitas horas no ar, facilitando a sua inspiração.

Em casos de manifestações alérgicas mais graves podem também ser recomendados purificadores do ar ambiente e até mesmo o emprego de desumidificadores já que estes micro-organismos necessitam de umidade relativa elevada para a sua proliferação.  

REFERÊNCIAS  

(1)  Dekker H. – Asthma und Milben, Munh Med Wochenschr, 1926; 1928; 75:515. Apud J. Allergy Clin Immunol, 1971; 48:241

(2)  Voorhost R. et al. – House Dust Atopy and House Dust Mite. Leyden Staflen Cientific Publixhing Co., 1969

(3)  Vervloet D., Charplin J. – Altitude and Dust Mites. J. Allergy Clin Immunol, 1982; 69:290

(4)  Woolcock AJ et al. – The Association Between Dermotophagoides Mites and the Increasing Prevalence of Asthmain Village Comunities within the Papua New Guinea Highlands. J. Allergy Clin Immunol, 1985; 75

(5)  Jorgaard J. – Mite Asthma and Residency: A Case Control Study on the Impact of Exposure to House dust in Dwellings. Am Ver Resp Dis, 1983; 128:231

(6)  Platts-Mills J.A.e. et al. - Reductions of Bronchial Hyperreactivity During Prolonged Allergen Avoidance. Lancet, 1982; 2:675.

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