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A vida cotidiana nos expõe a um variado tipo de situações, substancias e
dispositivos com os quais o corpo humano não esta particularmente preparado
para lidar. Dos aerossóis ao ar condicionado, e dos gases de escape ao
raio-X, existem inúmeros fatores que podem ser nocivos a nossa saúde.
Diante disto e considerando que a população passa cerca de 80 a 90% do seu
tempo em ambientes interiores, é compreensível que haja uma grande
preocupação com a qualidade do ar interior.
Segundo
estudos publicados, os níveis de poluentes em ambientes interiores chegam a
ser de 10 a 100 vezes maior que a quantidade existente no exterior, este
preocupante resultado está associado a diversos efeitos nocivos a saúde que
podem variar de um simples desconforto a até mesmo a ocorrência de morte.
Um
ambiente interior adequado se dá a partir da conjugação de vários fatores
que vão desde a qualidade do ar exterior até um sistema de
ventilação e condicionamento corretamente projetado e mantido para que se
evite a formação de fontes
contaminantes.
A partir destes conceitos, surgiu nos Estados Unidos e na Escandinávia
por volta dos anos setenta o termo “Síndrome do Edifício Doente”, que
é usado para descrever situações em que os ocupantes dos edifícios se
tornam portadores de manifestações agudas de saúde e desconforto que
estão associadas ao tempo de permanência no interior de ambientes
confinados.
Um
edifício doente é aquele em que os mais de 20% dos ocupantes apresentam
alguma sintomalogia. Não é
possível identificar nenhuma doença especifica, mas as queixas podem ser
localizadas ou espalhadas por todo o edifício e podem ter origens variadas
como por fatores biológicos, alérgicos, químicos e fisiológicos. Contudo
este problema pode causar ainda o aumento de custos para a empresa que se
manifesta em situações como o aumento de índice de abstinência, redução
da eficiência dos trabalhadores, diminuição de produtividade e
insatisfação de clientes e colaboradores.
Doenças
Associadas ao Edifício:
São doenças que podem ser diagnosticadas e definidas clinicamente e
os seus sintomas podem ser atribuídos diretamente aos contaminantes
transportados pelo ar existente no interior dos edifícios. Rinite alérgica,
asma brônquica, doença do Legionário, febre de Pontiac,
histoplasma, são alguns exemplos de problemas causados pela “Síndrome
do Edifício Doente”.
Indicadores de doenças associadas ao Edifício:
-
Tosse, rouquidão, catarro;
-
Dores no peito, náuseas, tonturas;
-
Febres, arrepios e dores musculares;
-
Grande freqüência de infecção nas vias respiratórias;
-
Hipersensibilidade não especifica.
Segundo
a OMS (Organização Mundial de Saúde) podem ser caracterizados dois tipos
de Edifícios Doentes:
Os
edifícios temporariamente doentes, que se incluem os edifícios novos
ou que sofreram alguma reforma recente nos quais os sintomas diminuem e
desaparecem com o tempo e os edifícios permanentemente doentes onde
há persistência dos sintomas mesmo após serem tomadas medidas para
solucionar os problemas. Os indicadores da “Síndrome do Edifício Doente”
são:
- Olhos: irritação, secura e prurido;
- Nariz: irritação, secura e congestionamento;
- Garganta: secura, rouquidão, prurido e tosse;
- Pele:
irritação, secura, prurido e eritemas;
- Cabeça: dores, náusea e tonturas.
As principais causas das doenças nos edifícios:
Apesar
de sucessivas pesquisas para encontrar a causas da “síndrome o edifício
doente” ainda não conseguiu definir agentes específicos. Podendo serem
citadas como causas mais prováveis e indicativos na sua participação no
problema:
● Ventilação
Inadequada (52%)
● Contaminantes
químicos interiores (20%)
● Contaminantes
químicos exteriores (10%)
● Contaminantes
biológicos (5%)
● Agentes
desconhecidos (13%)
●
Ventilação Inadequada:
O aumento
dos custos de energia, decorrente da grise energética de 1973, provocou a
adoção de muitas providências para melhor conservação desta energia.
Dentre elas, nos sistemas AVAC-R (Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado
e Refrigeração) adotou-se uma diminuição da quantidade de renovação de
ar, objetivando a diminuição dos custos do seu tratamento (refrigeração,
umidificação, desumidificação,
filtragem etc). Também foram
reduzidos os períodos de operação destes sistemas, ocasionando a redução
de ar exterior na ventilação e conseqüentemente o aumento do ar
recirculante. Estas medidas foram
consideradas inadequadas para a garantia da saúde e do conforto dos
ocupantes do edifício. Decorre
daí uma deficiente diluição e
remoção dos contaminantes existentes. Além disso, os sistemas trabalhando
abaixo de capacidades projetadas, produzem uma desigual distribuição do ar
e o surgimento bolsões de ar estagnado que são situações muito
favoráveis ao aparecimento de sintomalogias.
● Contaminantes químicos provenientes de fontes interiores:
A maioria
desses poluentes se encontra em fontes no interior do próprio edifício,
tais como colas, pinturas frescas, produtos de madeira prensada, carpetes,
mobiliário almofadado, fotocopiadoras, agentes de limpeza. Todos estes são
potentes emissores de compostos orgânicos voláteis, inclusive o
formaldeído. Até os próprios ocupantes são fontes de poluição já que
produzimos naturalmente dióxido de carbono, partículas de aerossóis
biológicos e também o fumo de
tabaco que contem mais de 4000 compostos poluentes.
● Contaminantes químicos provenientes de fontes exteriores:
Os
poluentes exteriores mais conhecidos são aqueles que provem principalmente
do escape de automóveis e da liberação de gases das fabricas. Está
comprovado que o aumento da concentração de contaminantes do ar exterior
faz também aumentar a concentração no interior.. O inverso também ocorre
porém de forma mais demorada. A influência da poluição externa é a mais
importante para os cuidados do ar interior e ela é efetivamente contemplada
nas normas regulatórias dos índices máximos admissíveis.
● Contaminantes biológicos:
São
bactérias, fungos, leveduras, grão de pólem, ácaros. Alguns destes
contaminantes desenvolvem-se consideravelmente em águas estagnadas,
umidificadores, bandejas de condensação e torres de refrigeração. Um
exemplo preocupante de contaminante biológico é a bactéria Legionella pneumophila. Os contaminantes biológicos são
responsáveis por muitas doenças infecciosas e alergias existentes. Na
maioria das vezes estes fatores de transmissão estão relacionados com um
sistema de ar condicionado mal desenhado e de manutenção deficiente que
são fatores propícios para a proliferação dos poluentes biológicos.
Além disso, a liberação de gases poluentes por parte dos mobiliários
novos, os serviços de limpezas insuficientes ou mal feitos podem também
intensificar a produção de partículas sólidas suspensas que riam um
ambiente propicio a proliferação microbiológica.
● Agentes desconhecidos
Diversas sintomalogias foram encontradas sem que ainda pudessem ser
indicados os agentes responsáveis.
CONCLUSÃO
Os estudos epidemiológicos relacionados ao ar interior ainda são
incompletos, exceção para os efeitos do fumo de tabaco para os não
fumantes, devido à tomada de consciência em relação a esse problema.
As regulamentações sobre a qualidade do ar interno, principalmente
as produzida pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde, bem demonstram a
preocupação do problema para a saúde pública.
Acredita-se
que avanços significativos poderiam ser obtidos através de um debate global
e interdisciplinar entre as organizações públicas e privadas relacionadas,
tais como associações de profissionais ligados a projetos de instalação
de condicionamento ambiental, saúde ocupacional, vigilância sanitária,
pesquisa microbiológica, fabricantes dos sistemas, Núcleo de Saúde do
Trabalhador, associações de empresas de administração imobiliária e
principalmente os Síndicos responsáveis pela preservação dos edifícios,
em todas as suas formas.
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